Como exportar dados do Web of Science passo a passo

Aprenda como exportar dados do Web of Science para análise bibliométrica. Tutorial completo com o formato certo para VOSviewer, bibliometrix e Excel.


Você finalmente definiu sua string de busca, rodou na base e encontrou centenas de artigos relevantes para sua revisão de literatura. E agora? Como transformar esses resultados em dados que você possa analisar no VOSviewer, no bibliometrix ou até numa planilha de Excel?

Essa é uma das etapas que mais gera dúvida — e mais gera erro — entre mestrandos e doutorandos que estão começando uma análise bibliométrica. Exportar os dados no formato errado significa horas perdidas tentando entender por que o software não reconhece seu arquivo. Exportar com os campos incompletos significa ter que refazer tudo do zero.

Neste tutorial, vou te mostrar exatamente como exportar os dados do Web of Science da forma correta, nos formatos que você realmente vai precisar. Sem enrolação, passo a passo, com tudo o que aprendi orientando dezenas de alunos nesse processo.

Neste post, você vai aprender:

O que é a Web of Science e por que ela é tão usada em bibliometria

O Web of Science (WoS) é uma das principais bases de dados bibliográficas do mundo. Mantida pela Clarivate Analytics, ela indexa milhares de periódicos científicos com revisão por pares em praticamente todas as áreas do conhecimento.

Para quem faz bibliometria, a WoS tem duas vantagens decisivas. Primeiro, a qualidade dos metadados: os registros incluem informações completas sobre autores, afiliações, referências citadas, palavras-chave e muito mais. Segundo, a compatibilidade: ferramentas como o VOSviewer e o bibliometrix foram projetadas para ler diretamente os arquivos exportados do Web of Science.

Na prática, isso significa que quando você exporta os dados corretamente do WoS, o software de análise já sabe interpretar cada campo — autores, títulos, periódicos, citações — sem que você precise reformatar nada.

Importante: O acesso ao Web of Science geralmente é feito via portal de periódicos da sua universidade (no Brasil, pelo Portal CAPES). Verifique se sua instituição tem acesso antes de começar.

Antes de exportar: como garantir que sua busca está pronta

Antes de clicar em “Exportar”, vale a pena checar três coisas que vão evitar retrabalho:

  • Sua string de busca está refinada? Revise os termos, os operadores booleanos (AND, OR, NOT) e o uso de truncamento (o asterisco *). Uma string mal construída gera resultados irrelevantes que vão poluir sua análise.
  • Você aplicou os filtros necessários? O WoS permite filtrar por período de publicação, tipo de documento (artigos, revisões, capítulos), idioma e área de conhecimento. Definir esses filtros antes da exportação garante que você só baixe o que realmente precisa.
  • Você registrou os parâmetros da busca? Anote a data da busca, a base utilizada, a string completa e os filtros aplicados. Isso é essencial para a seção de metodologia da sua dissertação ou tese — e para garantir que sua pesquisa seja reprodutível.

No meu curso de bibliometria eu forneço ferramentas que contemplam esses 3 pontos: aulas dedicadas, checklists e planilha de organização.

Com esses três itens resolvidos, podemos partir para a exportação.

Passo 1 — Acessar o Web of Science e fazer a busca

Acesse o Web of Science pelo endereço webofscience.com. Se você está usando o acesso institucional (via Portal CAPES, por exemplo), certifique-se de estar conectado pela rede da universidade ou via VPN.

Na página inicial, insira sua string de busca no campo de pesquisa. Você pode buscar por tópico (Topic), título (Title), autor (Author) ou outros campos. Para bibliometria, a busca por Topic costuma ser a mais abrangente, pois inclui título, resumo e palavras-chave.

Após clicar em “Search”, o WoS vai exibir a lista de resultados. Confira o número total de documentos encontrados — ele vai ser importante no próximo passo.

Tela de busca do Web of Science com a string preenchida

Passo 2 — Selecionar os registros que deseja exportar

Depois de rodar a busca, você tem duas opções:

Exportar todos os resultados: Se a busca retornou um número gerenciável de documentos (até alguns milhares) e todos são relevantes para sua análise, essa é a opção mais prática.

Exportar uma seleção: Se você quer refinar manualmente, pode marcar registros específicos clicando na caixa de seleção ao lado de cada artigo, ou usar os filtros laterais do WoS para recortar por ano, área, tipo de documento etc.

Atenção ao limite de exportação: O Web of Science permite exportar no máximo 1.000 registros por vez. Se sua busca retornou mais do que isso, você vai precisar fazer a exportação em lotes — por exemplo, registros 1 a 1.000, depois 1.001 a 2.000, e assim por diante. No final, basta selecionar todos os arquivos na hora de importar no software.

Lista de resultados com opção de selecionar registros.

Passo 3 — Escolher o formato de exportação correto

Esta é a etapa mais importante — e onde a maioria dos erros acontece.

Clique no botão “Export” (Exportar) no topo da lista de resultados. O WoS vai abrir um menu com diferentes formatos de arquivo. Os principais são:

Plain Text File (.txt) — Este é o formato que você vai usar na maioria dos casos. É o formato nativo do Web of Science e o que o VOSviewer lê diretamente. Quando alguém fala em “exportar dados do WoS para bibliometria”, geralmente está falando desse formato. Atenção: para esse tipo de exportação com todos os dados que precisa para o VOSviewer, a WoS exporta de 500 em 500 documentos.

Tab-delimited (Win/Mac) — Gera um arquivo que pode ser aberto no Excel. Útil se você quer analisar os dados manualmente em uma planilha, mas não é o ideal para softwares de análise bibliométrica.

BibTeX (.bib) — Formato padrão para gerenciadores de referência como Zotero, Mendeley e LaTeX. Use se o objetivo é importar as referências para o gerenciador, não para análise bibliométrica.

RIS — Outro formato para gerenciadores de referência. Funciona com EndNote, Mendeley e outros.

Para análise no VOSviewer: escolha Plain Text File.

Para análise no bibliometrix (R): escolha Plain Text File ou BibTeX.

Para análise em planilha (Excel): escolha Tab-delimited.

Menu de exportação com os formatos disponíveis

Passo 4 — Configurar os campos do registro

Depois de escolher o formato, o WoS vai perguntar quais campos você deseja incluir na exportação. Aqui existe uma regra de ouro: sempre exporte o registro completo com referências citadas.

As opções que o WoS oferece geralmente são:

  • Author, Title, Source — Apenas informações básicas. Insuficiente para análise bibliométrica.
  • Full Record — Inclui autores, título, resumo, palavras-chave, afiliações, periódico, ano, volume, DOI e outros metadados. Bom para a maioria das análises.
  • Full Record and Cited References — Tudo do item anterior, mais a lista completa de referências citadas por cada artigo. Esta é a opção que você deve escolher.

Por que incluir as referências citadas? Porque análises como co-citação, acoplamento bibliográfico e rede de citações dependem dessas informações. Se você exportar sem as referências, vai ter que refazer todo o processo quando quiser rodar essas análises.

Além dos campos, defina a faixa de registros. Se está exportando todos, coloque o intervalo completo (ex.: “Records 1 to 847”). Se tem mais de 500 resultados, faça em lotes.

Tela de configuração de campos e faixa de registros. Selecionar “Full Record and Cited References”.

Passo 5 — Exportar e salvar o arquivo

Clique em “Export” e o download do arquivo vai começar automaticamente. O nome do arquivo geralmente segue o padrão savedrecs.txt (para Plain Text) ou savedrecs.bib (para BibTeX).

Algumas dicas para organizar seus arquivos:

Renomeie imediatamente. Troque o nome genérico por algo descritivo, como WoS_bibliometria_educacao_2015-2024.txt. Quando você tiver múltiplos lotes ou múltiplas buscas, isso vai salvar sua vida.

Crie uma pasta dedicada. Organize todos os arquivos de exportação em uma pasta específica do seu projeto de pesquisa. Inclua um arquivo de texto ou planilha com os parâmetros de cada busca.

Não abra o arquivo .txt no Word. Editores de texto como o Word podem alterar a codificação do arquivo e corromper os dados. Se quiser inspecionar o conteúdo, use o Bloco de Notas (Windows), TextEdit (Mac) ou qualquer editor de texto simples.

Se exportou em lotes: No caso do VOSviewer, basta selecionar múltiplos arquivos na hora de importar — o próprio software faz a junção.

Qual formato usar para cada ferramenta

Para facilitar, aqui está um resumo rápido de qual formato de exportação usar dependendo do software de destino:

VOSviewer → Plain Text File (.txt) do Web of Science. O VOSviewer reconhece nativamente esse formato. Basta importar escolhendo “Web of Science” como fonte de dados.

bibliometrix (pacote R) → Plain Text File (.txt) ou BibTeX (.bib). O bibliometrix aceita ambos, mas o Plain Text tende a preservar mais campos. Use a função convert2df() para carregar os dados no R.

Excel / análise manual → Tab-delimited. Abre diretamente no Excel com cada campo em uma coluna separada.

Gerenciadores de referência (Zotero, Mendeley, EndNote) → RIS ou BibTeX. Ambos funcionam bem para importar referências em gerenciadores.

Gephi / outros softwares de rede → Exporte do WoS em Plain Text, importe no VOSviewer e depois exporte a rede do VOSviewer em formato GML ou Pajek para abrir no Gephi.

Erros comuns na exportação e como evitá-los

Depois de acompanhar dezenas de alunos nesse processo, posso dizer que os erros mais frequentes são sempre os mesmos:

Exportar sem as referências citadas. Esse é o erro número um. O aluno exporta no formato “Full Record” em vez de “Full Record and Cited References” e depois descobre que não consegue fazer análise de co-citação. Solução: sempre marque a opção com referências citadas, mesmo que você ache que não vai precisar. É melhor ter e não usar do que precisar e não ter.

Esquecer o limite de 500 registros. O Web of Science não avisa de forma clara quando você tenta exportar mais do que 500 de uma vez — ele simplesmente corta. Confira sempre se o número de registros exportados bate com o total da busca.

Abrir e salvar o .txt no Word ou Excel. Isso pode alterar a codificação de caracteres e inserir formatação invisível que corrompe o arquivo. Resultado: o VOSviewer não consegue ler. Mantenha o arquivo original intacto.

Misturar formatos de bases diferentes. Se você está combinando dados do Web of Science com dados do Scopus, saiba que os formatos são diferentes. O VOSviewer aceita ambos, mas você precisa importar cada um na opção correta (WoS ou Scopus). Não tente juntar os arquivos de texto manualmente.

Não registrar os parâmetros da busca. Parece detalhe, mas na hora de escrever a metodologia da dissertação, você vai precisar informar exatamente quando fez a busca, qual string usou e quantos resultados obteve. Crie o hábito de anotar tudo antes de exportar.

O que fazer depois de exportar os dados

Com os dados exportados e organizados, os próximos passos dependem do tipo de análise que você vai fazer:

Se o objetivo é criar mapas bibliométricos: importe os dados diretamente no VOSviewer. No nosso próximo post, vamos mostrar como criar seu primeiro mapa de coautoria passo a passo.

Se quer análises estatísticas e gráficos automatizados: use o bibliometrix no R. Ele gera tabelas de autores mais produtivos, periódicos mais relevantes, evolução temporal e muito mais.

Independentemente do caminho que você escolher, o mais importante é que a exportação tenha sido feita da forma correta — com o formato certo, os campos completos e os registros organizados. Isso vai poupar horas de retrabalho e garantir a confiabilidade da sua análise.

Resumindo

Exportar dados do Web of Science é uma etapa simples, mas que precisa ser feita com atenção. Use o formato Plain Text para análise bibliométrica, sempre inclua as referências citadas, respeite o limite de 500 registros por lote e mantenha seus arquivos organizados. Com esses cuidados, você terá dados limpos e prontos para gerar mapas, indicadores e insights que vão fortalecer sua revisão de literatura.

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