Como baixar dados do Scopus para bibliometria: guia completo

Você montou sua string de busca, rodou no Scopus, e agora está olhando para milhares de resultados na tela sem saber como transformar aquilo em dados utilizáveis para sua análise bibliométrica. Ou talvez você já tenha trabalhado com o Web of Science e agora precisa exportar do Scopus também — seja porque sua área tem melhor cobertura lá, seja porque seu orientador pediu para comparar as duas bases.

O problema é que o Scopus tem uma interface própria, com limites de exportação, formatos diferentes e opções que podem confundir quem nunca fez isso antes. Exportar no formato errado significa ter que refazer tudo. Esquecer de incluir campos essenciais como referências citadas significa perder dados que não podem ser recuperados depois.

Neste post, você vai aprender exatamente como exportar dados do Scopus — desde acessar a base até ter um arquivo pronto para abrir no VOSviewer ou no Bibliometrix. Cada passo explicado, com os formatos corretos para cada tipo de análise.

Neste post:


O que é o Scopus e por que usá-lo em bibliometria

O Scopus é a maior base de dados de resumos e citações de literatura científica revisada por pares, mantida pela Elsevier. Cobre mais de 27.000 periódicos de todas as áreas do conhecimento, além de livros, anais de conferências e patentes.

Para quem faz bibliometria, o Scopus é uma das duas principais fontes de dados, ao lado do Web of Science. A escolha entre elas (ou o uso combinado) depende da área de pesquisa e do escopo do estudo.

Na prática, o Scopus tende a ter maior cobertura em algumas áreas como ciências sociais, engenharias e ciências da saúde, além de incluir mais periódicos de acesso aberto e fontes regionais. Para pesquisadores brasileiros, isso pode ser uma vantagem significativa, porque muitos periódicos nacionais indexados no Scopus não estão no Web of Science.

O Scopus também oferece dados estruturados que são essenciais para análises bibliométricas: informações de autoria, afiliação institucional, referências citadas, palavras-chave de autor e palavras-chave indexadas. Esses campos são a matéria-prima para construir redes de coautoria, mapas de co-ocorrência de palavras-chave e análises de acoplamento bibliográfico.

Requisitos: como acessar o Scopus no Brasil

O Scopus é uma base paga. No Brasil, a principal forma de acesso para pesquisadores vinculados a universidades é pelo Portal de Periódicos da CAPES (periodicos.capes.gov.br), pela Comunidade Acadêmica Federada (CAFe):

  1. Acesse o Portal de Periódicos da CAPES
  2. Clique em “Acesso CAFe”
  3. Selecione sua instituição na lista
  4. Faça login com suas credenciais institucionais (as mesmas que você usa nos sistemas da universidade)
  5. Após autenticado, navegue até o Scopus pelo portal ou acesse diretamente scopus.com

Passo 1: Fazer a busca no Scopus

Com o acesso ativo, vá para a página de busca do Scopus. A tela inicial oferece diversos tipos de busca: documentos, autores, descobrir outros pesquisadores por tópico, instituições e uma integração com IA.

Busca simples (Documents)

Para exportar dados para bibliometria, vamos usar a busca de documentos. Para a maioria dos casos, a busca simples resolve. Funciona assim:

  1. No campo de busca, digite seus termos
  2. Selecione onde buscar: Article Title, Abstract, Keywords (recomendado para bibliometria, pois cobre os campos mais relevantes)
  3. Use operadores booleanos: AND, OR, AND NOT
  4. Clique em Search

Exemplo de busca: "systematic review" AND "machine learning" AND health

Passo 2: Refinar os resultados antes de exportar

Depois de rodar a busca, o Scopus mostra a lista de resultados com filtros na lateral esquerda. Refinar antes de exportar é fundamental, porque exportar dados “sujos” significa mais trabalho de limpeza depois, ou pior, distorções na análise.

Filtros mais usados em bibliometria

  • Year: delimite o período da análise (ex: 2015–2025)
  • Document Type: para a maioria das análises bibliométricas, selecione apenas Article e Review. Remova Conference Papers, Book Chapters, Notes e Editorials, a menos que seu escopo exija
  • Source Type: prefira Journal para manter consistência
  • Language: filtre por English se sua análise é internacional, ou inclua Portuguese se quer capturar produção brasileira
  • Subject Area: útil para remover resultados de áreas completamente fora do seu escopo

Dica importante sobre refinamento

Cada filtro que você aplica modifica a string de busca. O Scopus mostra a string atualizada no topo da página. Copie essa string final e salve no seu arquivo de método, porque ela garante a reprodutibilidade da sua análise.


Passo 3: Selecionar os registros para exportação

Com os resultados filtrados, você precisa decidir quais registros exportar.

Exportar todos os resultados

Na maioria das análises bibliométricas, você vai querer todos os resultados. Para isso:

  1. Não selecione nenhum registro individual
  2. Vá direto para o botão de exportação (próximo passo)
  3. O Scopus vai exportar todos os resultados da busca atual

Exportar uma seleção específica

Se você precisa exportar apenas parte dos resultados:

  1. Marque a caixa de seleção ao lado de cada registro desejado
  2. Ou use “Select All” no topo da página para selecionar todos da página atual (25 por padrão)
  3. Depois prossiga para exportação

Atenção ao limite de 2.000 registros

O Scopus permite exportar no máximo 2.000 registros por vez no formato CSV. Se sua busca retorna mais que isso, você terá que exportar em lotes (veja a seção sobre limites mais adiante).

Passo 4: Escolher o formato de exportação correto

Este é o passo mais crítico. O formato errado pode significar perda de dados ou incompatibilidade com sua ferramenta de análise. No Scopus, clique no botão Export no topo da lista de resultados.

O Scopus oferece vários formatos de exportação:

CSV (Comma-Separated Values)

  • Quando usar: para análises no Bibliometrix (R), Excel, ou qualquer tratamento manual de dados
  • Limite: 2.000 registros por exportação
  • Vantagem: inclui todos os campos bibliográficos necessários
  • Como selecionar: Export → CSV

RIS

  • Quando usar: para gerenciadores de referência (Mendeley, Zotero, EndNote)
  • Limite: 2.000 registros
  • Não recomendado para análise bibliométrica direta — o formato não preserva todos os campos necessários

BibTeX

  • Quando usar: se você trabalha com LaTeX e quer importar as referências
  • Limite: 2.000 registros
  • Não ideal para análise bibliométrica completa

Formato Scopus (campo “Export” → opção padrão)

  • O Scopus também oferece exportação para formatos proprietários e para o próprio SciVal
  • Para bibliometria, prefira CSV

E para o VOSviewer e bibliometrix?

Tanto o VOSviewer quanto o bibliometrix aceitam arquivos CSV do Scopus, a primeira opção na tela de exportação.


Passo 5: Configurar os campos de exportação

Após selecionar o formato CSV, o Scopus apresenta uma tela para escolher quais campos incluir no arquivo exportado. Não aceite a seleção padrão sem verificar, porque ela nem sempre inclui tudo que você precisa.

Campos obrigatórios para análise bibliométrica

Marque pelo menos:

  • Citation information: Authors, Document title, Year, Source title, Volume, Issue, Pages, DOI, Document Type
  • Bibliographical information: Affiliations, Publisher, language, etc.
  • Abstract & keywords: Author Keywords, Index Keywords, Abstract
  • Funding details: se sua análise envolve financiamento de pesquisa
  • Other information: selecionar principalmente a opção “include references”

Além disso, desmarque a opção “truncar para Excel”, porque este arquivo será usado apenas no VOSviewer (ou bibliometrix se for o seu caso).

O campo mais esquecido: References

Se você pretende fazer análise de acoplamento bibliográfico ou co-citação, o campo References (referências citadas) é indispensável. Sem ele, essas análises são impossíveis. E uma vez exportado sem referências, a única solução é refazer a exportação inteira.


Passo 6: Exportar e verificar o arquivo

Com formato e campos selecionados, clique em Export. O Scopus vai gerar o arquivo e iniciar o download automaticamente.

Nomeando e organizando seus arquivos

Adote uma convenção de nomeação consistente. Uma sugestão:

scopus_[tema]_[data]_[n-registros].csv

Exemplo: scopus_bibliometrics_2025-04-13_1847.csv

Salve também a string de busca final em um arquivo de texto separado. Isso garante reprodutibilidade — um critério que bancas examinadoras e revisores de periódicos cobram cada vez mais.

Limites de exportação do Scopus e como contorná-los

O Scopus impõe um limite de 2.000 registros por exportação no formato CSV. Se sua busca retorna mais que isso, você precisa exportar em lotes.

Exportação em lotes

  1. Ordene os resultados por Date (oldest first) ou por outro critério consistente
  2. Selecione os primeiros 2.000 registros e exporte
  3. Selecione os próximos 2.000 e exporte
  4. Repita até cobrir todos os resultados
  5. Você precisa importar todos os documentos juntos tanto no VOSviewer quanto no bibliometrix

Próximos passos: o que fazer com os dados exportados

Com o arquivo CSV do Scopus em mãos, você está pronto para a parte mais interessante: a análise propriamente dita.

Se você quer começar com visualizações, o caminho mais direto é importar os dados no VOSviewer. Nosso guia VOSviewer passo a passo mostra como criar seu primeiro mapa a partir de dados exportados.

Se você já conhece o VOSviewer e quer entender os indicadores que aparecem na análise, nosso post sobre o que é o índice h e como interpretá-lo explica uma das métricas mais usadas.

Para quem quer ir além das visualizações e fazer análises estatísticas completas, o Bibliometrix no R é a ferramenta de referência. Ele aceita diretamente os CSVs do Scopus e oferece mais de 30 tipos de análise diferentes.


Conclusão

Neste post, você aprendeu o caminho completo para exportar dados do Scopus: desde acessar a base pelo Portal CAPES, passando pela configuração correta da busca, refinamento de resultados, escolha do formato ideal (CSV para a maioria dos casos), seleção de campos essenciais — com destaque para referências citadas, que muitos esquecem — até a verificação do arquivo exportado.

O ponto principal é: a qualidade da sua análise bibliométrica começa na exportação. Dados exportados no formato errado, sem campos essenciais ou sem refinamento adequado comprometem todo o trabalho que vem depois. Investir dez minutos a mais nessa etapa economiza horas de retrabalho.

Agora que você sabe como baixar dados tanto do Web of Science quanto do Scopus, o próximo passo é aprender a transformar esses dados em análises que fortaleçam sua dissertação ou tese.

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